Diário do Comércio
07/05/2026 09h12
Impactado pelos juros elevados e pelo desaquecimento da economia no país, o setor de máquinas e equipamentos revisou as projeções de crescimento para 2026.
A expectativa, que chegou a 3% no final do ano passado, recuou para uma alta de apenas 0,3%, com risco real de retração.
Em Minas Gerais, por exemplo, o cenário é desafiador. A desaceleração da construção civil e as dificuldades crescentes da mineração na região contêm novos investimentos e colocam o setor diante de um dos períodos mais delicados dos últimos anos.
No acumulado do 1º trimestre, o indicador da Associaç&at
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Impactado pelos juros elevados e pelo desaquecimento da economia no país, o setor de máquinas e equipamentos revisou as projeções de crescimento para 2026.
A expectativa, que chegou a 3% no final do ano passado, recuou para uma alta de apenas 0,3%, com risco real de retração.
Em Minas Gerais, por exemplo, o cenário é desafiador. A desaceleração da construção civil e as dificuldades crescentes da mineração na região contêm novos investimentos e colocam o setor diante de um dos períodos mais delicados dos últimos anos.
No acumulado do 1º trimestre, o indicador da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) que mede a aquisição efetiva de máquinas e equipamentos retraiu 11,4%.
A retração foi generalizada entre as atividades econômicas, com exceção do setor de infraestrutura, que registrou estabilidade, e do segmento de bens de consumo, com crescimento de 3,1%.
De acordo com o coordenador de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Leonardo Gatto Silva, a queda no 1º trimestre foi mais acentuada que o projetado no final do ano passado.
“Esperávamos números melhores, mas o início de 2026 se mostrou mais fraco. Estamos prevendo estabilidade no lugar de crescimento”, ressalta.
A taxa de juros, segundo ele, permanece em patamares elevados, mesmo com as recentes quedas, o que pressiona cada vez um setor que depende diretamente dos investimentos de outros segmentos da economia.
“Quando o mercado está aquecido, o setor consegue responder bem e o empresário tem mais meios para investir”, destaca Gatto Silva.
“Quando isso não ocorre, com sinais de desaceleração e emprego sob controle, o empresário fica mais cauteloso e começa a sentir o impacto nas vendas, perdendo o apetite para novos investimentos”, completa.
Agrícola – O gestor acrescenta que a retração entre janeiro e março está mais concentrada em setores como máquinas agrícolas e máquinas para a indústria da transformação.
O segmento agrícola, entretanto, obteve um impacto ainda mais acentuado.
Em março, a receita líquida interna da categoria recuou 21,8% na comparação interanual, sendo que as vendas de colheitadeiras ao usuário final caíram 36,2% no período.
O quadro de pessoal ocupado na indústria de máquinas e implementos agrícolas também recuou 2,6% frente a março de 2025, reflexo direto da retração nos investimentos do agronegócio diante do custo elevado do crédito.
“Ambos os mercados atravessaram um período de dificuldade, e, mesmo diante de uma melhora recente, ainda não foi possível observar uma recuperação para a retomada dos investimentos”, avalia o gestor.
Para os próximos meses, a expectativa é leve melhora, especialmente com o desempenho favorável registrado em março.
Ainda assim, Gatto Silva salienta a preocupação com uma possível retração, especialmente com um cenário externo conturbado, que pode acentuar a cautela entre empresários.
“Esperamos uma reação do setor. Março apresentou um desempenho um pouco melhor, mas a tendência é que o resultado fique próximo de zero neste ano”, finaliza.

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