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Sensores começam a revelar um dos pontos cegos da construção civil

Com 70% das empresas ainda em estágios iniciais de maturidade digital, tecnologia aplicada às betoneiras permite rastrear descarregamentos e identificar desvios e perdas na operação

Assessoria de Imprensa

04/09/2026 07h30 | Atualizada em 04/09/2026 22h38

Em uma obra, saber quanto concreto foi contratado e quanto deveria chegar ao destino parece simples.

Na prática, porém, acompanhar o caminho percorrido por cada carga pode ser um desafio.

Entre usinas, betoneiras, motoristas, canteiros e equipes em campo, existe uma etapa difícil de controlar: o que acontece entre o carregamento e o momento em que o concreto é efetivamente descarregado.

O problema ganha dimensão em um setor que avança na digitalização, mas ainda convive com operações pouco rastreáveis.

A Pesquisa Nacional de Maturidade Digital para Incorporadoras e Construtoras, realizada pelo BIM Fórum Brasil com 1

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Em uma obra, saber quanto concreto foi contratado e quanto deveria chegar ao destino parece simples.

Na prática, porém, acompanhar o caminho percorrido por cada carga pode ser um desafio.

Entre usinas, betoneiras, motoristas, canteiros e equipes em campo, existe uma etapa difícil de controlar: o que acontece entre o carregamento e o momento em que o concreto é efetivamente descarregado.

O problema ganha dimensão em um setor que avança na digitalização, mas ainda convive com operações pouco rastreáveis.

A Pesquisa Nacional de Maturidade Digital para Incorporadoras e Construtoras, realizada pelo BIM Fórum Brasil com 130 empresas, mostra que 70% das companhias ainda estão nos estágios “Tradicional” ou “Iniciante” de maturidade digital.

O dado evidencia a distância entre a intenção de inovar e a capacidade de levar tecnologia para processos do dia a dia.

É justamente nesse espaço que surgem soluções capazes de transformar uma atividade física em informação verificável. Sensores instalados no balão das betoneiras permitem monitorar o giro do tambor e cruzar essa informação com a localização do veículo, criando um rastro digital do concreto durante o transporte.

“O desafio é transformar uma operação que acontece na rua e no canteiro de obras em uma informação que possa ser acompanhada e verificada. Quando conseguimos saber onde o veículo está, como o tambor está girando e identificar o momento do descarregamento, passamos a ter uma visão muito mais precisa do que aconteceu com aquela carga”, explica Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs Segurança, empresa especializada em soluções de monitoramento e segurança patrimonial.

Do concreto contratado ao concreto efetivamente entregue - O desafio aumenta à medida que as operações crescem.

Uma empresa pode ter dezenas de betoneiras circulando simultaneamente, atendendo diferentes obras, regiões e horários. Nesse cenário, depender apenas de registros manuais ou conferências posteriores deixa espaços para falhas de controle.

Conectado ao rastreador veicular, o sensor identifica para qual lado o tambor está girando e permite acompanhar etapas que vão do carregamento ao descarregamento. A empresa pode, assim, comparar o que estava previsto para determinada carga com o que efetivamente ocorreu.

Se uma betoneira deveria descarregar em uma obra específica, o monitoramento ajuda a verificar se o veículo esteve no local e se houve movimentação compatível com o descarregamento.

Caso o concreto seja descarregado em uma área não autorizada ou exista uma movimentação fora do padrão, o sistema pode gerar uma notificação.

“O ganho está na rastreabilidade. A empresa deixa de depender apenas da informação de quem está em campo e passa a ter uma camada independente de dados para conferir a operação. Isso ajuda a identificar desvios que poderiam passar despercebidos e permite agir antes que uma inconsistência se transforme em uma perda maior”, afirma Buriti.

Quando monitorar o caminhão também significa monitorar o concreto - O uso de sensores amplia a discussão sobre eficiência na construção civil.

O concreto não é uma carga convencional: seu transporte envolve tempo, condições adequadas e uma operação coordenada para que o material chegue ao destino dentro dos parâmetros necessários.

Por isso, monitorar apenas a localização do caminhão pode não ser suficiente. A combinação entre rastreamento e informações sobre o funcionamento da betoneira permite acompanhar variáveis como tempo de mistura, giro do tambor, entregas e descarregamentos.

A tecnologia também possibilita alertas em tempo real para situações como interrupção do giro, paradas não autorizadas ou movimentações fora dos parâmetros estabelecidos.

O gestor pode acompanhar as informações por celular, tablet ou computador e acessar relatórios posteriormente.

“O que antes era uma operação difícil de enxergar passa a ser mensurável. Isso muda a gestão porque o responsável consegue identificar onde estão os gargalos, entender o comportamento da frota e tomar decisões baseadas no que realmente aconteceu”, destaca Buriti.

Da betoneira ao dado - O caso mostra como a digitalização da construção civil também pode avançar em atividades tradicionais e ainda dependentes de acompanhamento manual.

O caminhão já possui um rastreador, mas o sensor acrescenta uma camada de inteligência capaz de mostrar não apenas onde o veículo está, mas o que está acontecendo com a carga que ele transporta.

Essa visibilidade pode ajudar a identificar rotas inadequadas, períodos de ociosidade, paradas fora do planejamento e outras situações que impactam custos e produtividade. Ao reunir essas informações, a empresa ganha elementos para revisar processos, melhorar a logística e reduzir perdas.

“Quando falamos em digitalização na construção, é comum pensar em soluções complexas. Mas a transformação também acontece quando conseguimos pegar uma etapa tradicional da operação e convertê-la em dados. O sensor transforma o movimento do tambor, a localização do veículo e o momento do descarregamento em informações que podem ser acompanhadas e analisadas”, conclui Buriti.

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