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Revista M&T - Ed.305 - Julho de 2026
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MANUTENÇÃO

O tratamento de óleos usados ou contaminados

Contaminação pode ocorrer no armazenamento, no manuseio e na coleta, quando os óleos estão expostos ao contato com substâncias CAPAZES DE interferir em suas propriedades
Imagem: REPRODUÇÃO

Como é de conhecimento geral, o óleo lubrificante sofre deterioração ao longo do tempo, seja por sujeira, água, partículas de metal, microrganismos ou produtos químicos, perdendo suas propriedades físico-químicas e deixando de servir à finalidade para a qual foi elaborado e produzido.

A contaminação pode ocorrer na produção, no transporte e no armazenamento, assim como no uso incorreto ou na mistura inadequada de lubrificantes.

Após retirado do motor, o lubrificante passa a ser um resíduo perigoso, chamado popularmente de “óleo usado”, mas também conhecido como “óleo queimado”, nomenclatura que deve ser evitada pela evidente impropriedade.

Mesmo sendo um resíduo, o produto também não pode ser simplesmente descartado.

Afinal, se o óleo básico existe em pequena quantidade no petr&o


Imagem: REPRODUÇÃO

Como é de conhecimento geral, o óleo lubrificante sofre deterioração ao longo do tempo, seja por sujeira, água, partículas de metal, microrganismos ou produtos químicos, perdendo suas propriedades físico-químicas e deixando de servir à finalidade para a qual foi elaborado e produzido.

A contaminação pode ocorrer na produção, no transporte e no armazenamento, assim como no uso incorreto ou na mistura inadequada de lubrificantes.

Após retirado do motor, o lubrificante passa a ser um resíduo perigoso, chamado popularmente de “óleo usado”, mas também conhecido como “óleo queimado”, nomenclatura que deve ser evitada pela evidente impropriedade.

Mesmo sendo um resíduo, o produto também não pode ser simplesmente descartado.

Afinal, se o óleo básico existe em pequena quantidade no petróleo, o óleo usado contém de 80% a 85% de óleo lubrificante básico e, por isso, seu descarte indiscriminado pode causar uma série de problemas.

Rerrefino foi escolhido pelo Conama como o destino obrigatório de óleos usados ou contaminados. Imagem: VOLVO

Vários processos, genericamente conhecidos como rerrefino, são capazes de extrair o óleo básico desse resíduo, atendendo às especificações técnicas estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), válidas para todos os setores produtivos.

Por essa razão, o rerrefino foi escolhido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), por meio da Resolução no 362/2005, como o destino obrigatório de óleos usados ou contaminados.

Em suas tratativas, essa resolução também proíbe o descarte de óleos usados ou contaminados em solos, águas interiores, mar territorial, zona econômica exclusiva e sistemas de esgoto.

Nesse sentido, os resíduos são classificados em duas categorias principais: “perigosos” (classe I), cuja periculosidade e características estão descritas na Norma e são caracterizados por inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade; e “não perigosos” (classe II), subdivididos em classe IIA (não inertes, que podem possuir propriedades como biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água) e classe IIB (inertes, cujos constituintes estão solubilizados em concentrações inferiores aos padrões de potabilidade da água).

CONTROLE

Em linhas gerais, a contaminação pode ocorrer no armazenamento, no manuseio e na coleta, quando os óleos estão expostos ao contato com substâncias que podem interferir em suas propriedades, alterando o funcionamento do componente e reduzindo sua vida útil.

Para contornar o problema, o controle da contaminação envolve quatro etapas: exclusão (prevenção de contaminantes no armazenamento ou na entrada em uso), remoção (retirada dos contaminantes), monitoramento (medição e análise do tipo e do nível dos contaminantes) e gerenciamento (implementação de políticas e procedimentos para garantir o controle eficaz da contaminação).

Condições de trabalho podem acelerar a degradação, oxidação ou reação de lubrificantes. Imagem: VOLVO

Além do risco ambiental evidente, a contaminação pode representar um custo significativo nos gastos operacionais de uma obra, planta ou instalação industrial.

Afinal, as falhas causadas podem resultar em aumento dos custos de reparo e substituição e redução da disponibilidade, confiabilidade, produção e qualidade, assim como em aumento das emissões e dos riscos de segurança.

O custo potencial pode ser estimado por meio de diversos métodos, como análise de falhas, custeio do ciclo de vida, retorno sobre o investimento (ROI) ou cálculos da produção perdida. Independentemente do método, as perdas podem ser significativas.

Normalmente, a verba destinada à lubrificação é da ordem de 1% a 2% do orçamento total de manutenção.

Assim, a questão não é exatamente o custo do lubrificante, mas a solução dos problemas causados por falhas ou práticas inadequadas.

A contaminação deve, portanto, ser detectada o mais rápido possível, seja por meio de inspeção visual, monitoramento ou análise laboratorial. Também deve ter sua origem, tipo e gravidade identificados com precisão.

Além do risco ambiental, contaminação pode gerar custo significativo nos gastos operacionais. Imagem: GREENPEACE

As condições de trabalho no interior das máquinas (como níveis altos de temperatura, pressão, umidade e vibração) podem acelerar significativamente a degradação, oxidação ou reação dos lubrificantes, levando à formação de borra, cinza ou depósitos de verniz.

Nesse processo, podem alterar inclusive a viscosidade do óleo. Essa condição irá se agravar se o intervalo de troca estiver acima dos limites definidos pelo fabricante ou por laboratório credenciado.

Nessas situações, o controle requer a adoção de medidas mais robustas, como utilização de lubrificantes de alto desempenho, filtros e respiros resistentes a altas temperaturas, pressões, umidade e choque, além de técnicas adequadas de monitoração.

Também é importante realizar as manutenções preventivas programadas, respeitar os intervalos de troca de óleos e filtros, executar a armazenagem de forma correta, buscar soluções automatizadas e, principalmente, capacitar a mão de obra.

RISCOS

Como já citado acima, os óleos usados são resíduos perigosos que precisam ser corretamente manuseados, armazenados e destinados, de modo que não haja danos à saúde dos profissionais de manipulação e do público em geral.

Mesmo o óleo novo traz um certo grau de risco, o que requer uma manipulação cuidadosa, pois contém diversos aditivos que, em altas concentrações, são tóxicos (como cromo, cádmio, chumbo e arsênio, por exemplo).

Evidentemente, o óleo usado é bem mais tóxico, pois quando seus componentes se degradam, há formação de compostos perigosos para a saúde e o ambiente (incluindo, por exemplo, ácidos orgânicos e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, substâncias tóxicas para os seres humanos).

Normalmente, esses contaminantes permanecem no organismo e causam diversos problemas graves de saúde, como complicações respiratórias, circulatórias e até câncer, como mostrado no infográfico.

Cuidar adequadamente do manuseio e da disposição dos óleos é essencial para evitar consequências graves para as pessoas e o meio ambiente

Dessa maneira, é desnecessário frisar que o lançamento de óleo usado no meio ambiente pode afetar as pessoas do entorno, a fauna e a flora locais, principalmente quando associado a outros poluentes comuns em áreas urbanizadas.

Devido à densidade menor que a da água, o óleo gera uma fina camada sobre a superfície da água, afetando uma área de 1.000 m2 em poucos dias.

Essa camada bloqueia a passagem da luz, prejudicando a troca de oxigênio com o ambiente e interferindo na fotossíntese vegetal.

O cenário é bem drástico. Por não ser biodegradável, o óleo também leva décadas para desaparecer no ambiente.

Quando vaza (ou é jogado), inutiliza completamente o solo atingido, tanto para a construção como para a agricultura, matando a vegetação e transformando o local em uma fonte de vapores de hidrocarbonetos, que prejudicam a qualidade do solo, tornando-o inadequado para uso agrícola ou industrial.

O resíduo pode ainda atingir o lençol freático, inutilizando os poços da região e impedindo o uso da água. De fato, um litro de óleo contaminado pode inutilizar um milhão de litros de água ou 1.000 m2 de superfície aquosa, comprometendo sua oxigenação.

A título de referência, o descarte de um único veículo é capaz de contaminar uma quantidade de água suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas por 15 anos.

Se o óleo for jogado no esgoto, certamente irá comprometer o funcionamento das estações de tratamento, chegando a causar sua paralisação em alguns casos, além de se infiltrar no solo.

A queima do óleo (que é ilegal e constitui crime) resulta em forte concentração de poluentes num raio médio de 2 km. Além disso, gera grande quantidade de particulados (fuligem), que literalmente grudam na pele e no aparelho respiratório.

Portanto, é preciso cuidar adequadamente do manuseio e da disposição dos óleos para evitar consequências graves para as pessoas e o meio ambiente, o que já foi abordado detalhadamente em outros artigos neste mesmo espaço.


LEVANTAMENTO
País coletou pouco mais da metade de OLUC em 2023

Segundo dados do SINIR (Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos), em 2023 foram coletados 567.431.001 m³ (64,66%) de Óleos Lubrificantes Usados ou Contaminados (OLUC) nos 4.346 municípios atendidos com coleta.

A operação de coleta do OLUC garantiu a cobertura de 78% dos municípios brasileiros. Naquele mesmo ano, a meta de coleta estabelecida pelo Governo Federal foi de 47,50%, superada pelo setor no período.


Pontos de coleta de OLUC podem ser as próprias indústrias e setores de infraestrutura, além de estabelecimentos geradores

De acordo com o instrumento, que integra a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os pontos de coleta de OLUC podem ser as próprias indústrias e setores de infraestrutura, além dos inúmeros estabelecimentos geradores em território nacional, como postos de combustíveis (serviços de troca de óleo, posto revendedor, posto de abastecimento), oficinas e concessionárias, entre outros.♦


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