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Revista M&T - Ed.304 - Junho de 2026
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A ERA DAS MÁQUINAS

Carregadeiras ganham articulação

Por Norwil Veloso

Lançado em 1963, o conceito Case 530 Construction Kingcontava com sistema de carregamento já integrado ao chassi. IMAGENS: REPRODUÇÃO


Na década de 1930, alguns fabricantes de tratores agrícolas instalaram uma caçamba dianteira em suas máquinas, para manusear materiais leves.

A Muir-Hill foi uma das primeiras empresas a produzir esse equipamento, montado sobre um trator Fordson.

Na Alemanha, as primeiras máquinas desse tipo surgiram em 1952, com um implemento Wittenburg montado em um trator Hanomag, e um implemento Schopf montado em um trator Deutz.

Em 1963, a Case lançou o conceito Construction King, que se tornaria bastante popular nas obras de construção devido ao custo-benefício.

Outros fabricantes, como Schopf, Bray e Allis-Chalmers, optaram por inverter a posição do trator, passando a direção para o eixo traseiro.

Em 1944, a Hough produziu a primeira carregadeira com aciona


Lançado em 1963, o conceito Case 530 Construction Kingcontava com sistema de carregamento já integrado ao chassi. IMAGENS: REPRODUÇÃO


Na década de 1930, alguns fabricantes de tratores agrícolas instalaram uma caçamba dianteira em suas máquinas, para manusear materiais leves.

A Muir-Hill foi uma das primeiras empresas a produzir esse equipamento, montado sobre um trator Fordson.

Na Alemanha, as primeiras máquinas desse tipo surgiram em 1952, com um implemento Wittenburg montado em um trator Hanomag, e um implemento Schopf montado em um trator Deutz.

Em 1963, a Case lançou o conceito Construction King, que se tornaria bastante popular nas obras de construção devido ao custo-benefício.

Outros fabricantes, como Schopf, Bray e Allis-Chalmers, optaram por inverter a posição do trator, passando a direção para o eixo traseiro.

Em 1944, a Hough produziu a primeira carregadeira com acionamento hidráulico da caçamba e, em 1947, lançou a primeira máquina totalmente hidráulica e com tração nas quatro rodas (HM), considerada a base do projeto das carregadeiras atuais.

CONFIGURAÇÃO

Nos anos 1950 e 1960, os técnicos e projetistas ainda estavam procurando a configuração ideal para as carregadeiras, cuja utilização vinha se tornando cada vez maior e mais variada.

Uma pesquisa da época, feita nos Estados Unidos, mostrou um aumento nas vendas dessas máquinas, que saltaram de US$ 59 milhões em 1957 para US$ 115 milhões em 1961, uma elevação de 95% em cinco anos, ainda mais notável se comparada aos 6,5% de aumento de vendas das demais máquinas no período.

Em 1953, a Michigan lançou o modelo 75A, a primeira carregadeira de pneus com direção no eixo traseiro e braços paralelos.

Nesse mesmo ano, também foi lançada a primeira máquina norte-americana de chassi articulado (Scoopmobile LD5) e, em 1954, a primeira carregadeira Volvo, montada em um trator BM com posição invertida.

Com a evolução das carregadeiras na década de 1950, foi dada maior atenção ao problema da posição do ponto de pivotamento do braço da caçamba.

Nas primeiras máquinas, esse ponto estava atrás do operador, mas a estrutura de elevação se movia em perigosa proximidade com seus braços, limitando ainda a visibilidade, principalmente na posição elevada.

Em um trabalho conjunto com o National Safety Council, os fabricantes buscaram posicionar esse ponto à frente do operador.

A Hough foi um dos primeiros fabricantes a lançar um modelo (HO) com um projeto mais seguro, a configuração “Z”, no que foi seguida por outros, como Caterpillar (1958), Case (1959), Allis-Chalmers (1961) e Michigan (1962).

Nesse ínterim, a quantidade de fabricantes aumentava cada vez mais.

Entre 1963 e 1966 podem ser listadas marcas como Allis-Chalmers, Aveling-Barford, Benoto, BM-Volvo, Case, Caterpillar, Euclid, Fiat, Ford, Fuchs, Hanomag, Hatra, International-Hough, JCB, Kaelble, Kockums, Komatsu, Lanz, Massey-Ferguson, Michigan, Muir-Hill, O&K, Schopf, Scoopmobile, Thew-Lorain, Yale/Trojan, Zettlemeyer e muitas outras.

Na Alemanha, foi desenvolvida a Varimot, da Lanz, com direção por frenagem das rodas de um dos lados (skid-steer), que também dispunha de uma grande variedade de implementos, como compactadores vibratórios, trados, escarificadores e garfos para pallets.

Nos Estados Unidos, a primeira máquina desse tipo (Melroe Bobcat) foi lançada um ano depois.

A Hanomag B8, lançada em 1961, tinha direção no eixo traseiro, distância entre eixos curta (2 m) e frenagem individual nas rodas, o que ajudava a reduzir o raio de curva.

Além disso, não havia interferência entre os braços de elevação da caçamba e o posto do operador, aumentando a segurança.

Já as carregadeiras Hatra tinham características diferenciadas como tração e direção independentes em cada roda, giro da caçamba de 360o, conversor de torque e transmissão de engate rápido.

CONCEITO

Os anos 1960 se caracterizaram por grandes obras, permitindo que as carregadeiras articuladas de maior porte pudessem comprovar sua maior manobrabilidade.

Propiciado pela articulação, o giro de aproximadamente 70o aumentava significativamente a produtividade.

Em 1964, a Zettlemeyer lançou um acumulador acoplado aos cilindros de elevação, o que reduzia a oscilação da carga em superfícies irregulares, com o cilindro atuando como amortecedor.

Mas essa solução só veio a ser usada amplamente nos anos 1980, quando equipou grande parte dos modelos disponíveis.

Com caçamba de 7,7 m3, a carregadeira Hough H-400 é vista nesta imagem carregando um caminhão Payhauler 100, com 37 toneladas de capacidade


Em 1960, a Euclid lançou a máquina articulada L-20, que seguia o conceito da Scoopmobile.

Inicialmente, essa solução não foi levada a sério pelos concorrentes, mas em 1964 a Caterpillar também lançou uma máquina articulada de 3,8 m3 (modelo 988), enquanto a International lançou a Hough H-440, de 7,7 m3 e a Michigan lançou a 475, de 9,2 m3de capacidade, seguindo o novo conceito.

As vantagens do chassi articulado foram detalhadas em um folheto de época da Caterpillar.

“A direção articulada produz um círculo de curva menor e propicia uma manobrabilidade excepcional, principalmente em áreas confinadas”, dizia o material de divulgação.

“A articulação fica posicionada entre os eixos dianteiro e traseiro, de modo que as rodas trafegam na mesma trajetória. A resistência ao rolamento é mínima, uma vez que as rodas traseiras podem utilizar a pista deixada pelas dianteiras. A máquina escava, transporta e descarrega num espaço de menos de duas vezes seu comprimento. Com três voltas do volante, pode-se girar a caçamba em um ângulo de 70o, com a carga em movimento. A máquina não precisa estar perfeitamente alinhada para encher a caçamba, mover a carga e descarregá-la com eficiência, assegurando distâncias de transporte mais curtas e ciclos mais rápidos”.

ALTERNATIVAS

Em 1968, a Eaton Yale mostrou-se ainda mais ambiciosa ao lançar a Trojan 8000, com caçamba de 7 m3 e articulação dupla.

Segundo o fabricante, “a construção biarticulada dá extrema manobrabilidade e reduz o desgaste dos pneus em 80%.

A articulação dupla de 20o, cuja seção central se move para fora quando a máquina é articulada para dentro, contribui para uma maior estabilidade do conjunto”.

Com motor de 700 hp e caçamba de 10,3 m3, o modelo Dart D600 chegou ao mercado em 1966 com um sistema patenteado de braço ainda em uso


Por sua vez, a LeTourneau produziu a SL-40, de 950 hp e caçamba de 18,4 m3, acionada por dois grupos geradores diesel-elétricos, montados na traseira como contrapesos.

Entre outras obras, essa máquina foi usada na construção da Rodovia 401, em Ontario, no Canadá.

Uma máquina concorrente foi a Dart D600, lançada em 1966, com caçamba de 10,3 m3 e potência de 700 hp, que utilizava um sistema patenteado de braços de elevação, com dois cilindros de nitrogênio que equilibravam as cargas desiguais nos braços e caçamba.

Esse sistema continuou a ser usado pela Dart em todos os modelos desenvolvidos nos 30 anos seguintes.

Leia na próxima edição: O nascimento de uma empresa 100% nacional

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