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Diagnóstico do solo define operação mais adequada no campo

Profundidade da camada compactada, umidade e histórico de manejo estão entre os fatores que devem orientar a escolha e evitar gastos desnecessários

Assessoria de Imprensa

29/09/2026 00h01

A presença de camadas compactadas no solo pode limitar o desenvolvimento das raízes, dificultar a infiltração de água e comprometer o estabelecimento das culturas.

Para corrigir o problema, operações como escarificação e subsolagem podem ser utilizadas, mas a escolha deve partir de um diagnóstico da área, principalmente da profundidade em que está localizada a camada compactada.

De acordo com Henrique Moscatelli, especialista em inteligência de mercado e marketing da Piccin Equipamentos, a profundidade de trabalho é o principal fator que diferencia as duas operações.

“A subsolagem é m

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A presença de camadas compactadas no solo pode limitar o desenvolvimento das raízes, dificultar a infiltração de água e comprometer o estabelecimento das culturas.

Para corrigir o problema, operações como escarificação e subsolagem podem ser utilizadas, mas a escolha deve partir de um diagnóstico da área, principalmente da profundidade em que está localizada a camada compactada.

De acordo com Henrique Moscatelli, especialista em inteligência de mercado e marketing da Piccin Equipamentos, a profundidade de trabalho é o principal fator que diferencia as duas operações.

“A subsolagem é mais profunda, podendo chegar a 45 cm, com hastes mais robustas e maior espaçamento entre elas, o que também exige mais potência do trator”, diz o engenheiro agrônomo.

“Já o escarificador atua nas camadas mais superficiais, até cerca de 30 centímetros, com possibilidade de menor revolvimento e manutenção da palhada na superfície”, explica.

Antes de levar o implemento ao campo, é importante identificar em qual profundidade a compactação ocorre.

Alguns sinais podem ser observados diretamente na lavoura, como manchas de plantas com menor desenvolvimento, germinação desuniforme, pontos de encharcamento e alterações no crescimento das raízes.

“Ao retirar uma planta com cuidado, é possível observar se as raízes estão verticalizadas e aprofundando normalmente ou se apresentam crescimento lateralizado, como se estivessem achatadas”, sustenta Moscatelli.

“Mas, para uma análise mais precisa, o penetrômetro é o equipamento mais indicado porque permite identificar em qual profundidade está a camada compactada”, afirma o especialista.

Em áreas maiores, diferentes pontos podem ser avaliados para a elaboração de um mapa de compactação do talhão.

A abertura de trincheiras também permite observar diretamente o perfil do solo e o comportamento das raízes.

A Embrapa recomenda que o diagnóstico combine observações de campo, análise do sistema radicular, abertura de trincheiras e uso de equipamentos capazes de medir a resistência do solo à penetração.

Quando a compactação está concentrada nos primeiros 30 cm, condição que pode ocorrer em áreas com histórico de gradagens e tráfego de máquinas, a escarificação pode atender à necessidade com menor mobilização do perfil.

Dependendo da configuração do equipamento, a operação também pode contribuir para a manutenção da palhada na superfície e ser utilizada em situações específicas dentro de sistemas de plantio direto, desde que constatada a necessidade de intervenção.

Já quando a camada de impedimento está abaixo desse limite, a subsolagem pode ser uma alternativa.

Entre as situações que podem exigir atuação em maior profundidade estão áreas com histórico de pisoteio animal, integração lavoura-pecuária, cabeceiras de talhões e pontos submetidos repetidamente ao tráfego de máquinas.

Um dos erros mais comuns é associar uma operação mais profunda a uma descompactação necessariamente mais eficiente.

Na prática, trabalhar abaixo da camada que precisa ser rompida aumenta o esforço de tração, o consumo de combustível e o desgaste do equipamento, sem necessariamente proporcionar ganho agronômico.

O problema inverso também pode ocorrer. Quando o equipamento trabalha acima da camada compactada, rompe apenas a parte superficial do perfil e mantém o impedimento ao desenvolvimento das raízes.

“Operar mais fundo do que o necessário aumenta a exigência de potência, o consumo de combustível e o desgaste do conjunto sem ganho”, destaca Moscatelli.

“Se trabalhar mais raso que a camada compactada, existe uma impressão de que o serviço foi realizado, mas o impedimento continua ali e o comportamento da raiz não muda”, completa.

O diagnóstico também ajuda a evitar que problemas de outra natureza sejam confundidos com compactação.

Limitações químicas do solo, como acidez ou deficiência de nutrientes, por exemplo, exigem estratégias específicas de correção e não serão solucionadas apenas com uma operação mecânica.

Além da profundidade, a condição de umidade do solo no momento da operação é determinante.

O ideal é que o perfil esteja em condição friável, quando apresenta umidade suficiente, mas se desfaz com facilidade ao ser pressionado.

Com o solo muito úmido, a haste pode comprimir as paredes do sulco em vez de promover a ruptura desejada.

Em condições excessivamente secas, aumenta a resistência à passagem do implemento e, consequentemente, a demanda de tração.

“O solo precisa estar friável. Nessa condição, a haste consegue romper uma faixa maior do que apenas a linha de contato da ponteira”, explana o especialista.

“Solo úmido demais não traz bom resultado e solo seco demais exige muita tração”, aponta.

O espaçamento das hastes também influencia a qualidade da operação.

Segundo Moscatelli, uma referência é trabalhar com distância equivalente a aproximadamente uma a 1,5 vez a profundidade de atuação.

Espaços excessivos podem deixar faixas sem rompimento, enquanto uma configuração muito fechada aumenta o revolvimento e a demanda energética.

Orientações técnicas da Embrapa também apontam relações próximas a essa faixa para favorecer a ruptura do solo entre as hastes.

Nivelamento do implemento e estado das ponteiras completam os cuidados.

O equipamento deve permanecer paralelo ao terreno para manter profundidade uniforme, enquanto ponteiras desgastadas podem perder eficiência de penetração e aumentar a demanda de potência.

Para Moscatelli, a escolha do equipamento deve começar pelo diagnóstico da área.

“Observe como está a lavoura, faça uma avaliação com penetrômetro ou abra uma trincheira para descobrir em qual profundidade está a camada compactada”, ele orienta, destacando que a profundidade da compactação é que deve definir a operação, e não o contrário.

“Com esse dado em mãos, é possível identificar o equipamento adequado para cada condição”, conclui.

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