Band/Globo Rural
24/04/2026 07h30
O Brasil reforça sua posição como um dos principais pilares da segurança alimentar global, destacando-se não apenas pelo volume de produção, mas pela capacidade de abastecer o mercado mundial de forma sustentável.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o agronegócio brasileiro registrou o recorde de US$ 169,2 bilhões em exportações em 2025, aproximando o país do posto de maior exportador do setor no mundo.
Atualmente, o país é responsável por atender cerca de 10% da demanda global por alimentos, mantendo presença comercial em c
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O Brasil reforça sua posição como um dos principais pilares da segurança alimentar global, destacando-se não apenas pelo volume de produção, mas pela capacidade de abastecer o mercado mundial de forma sustentável.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o agronegócio brasileiro registrou o recorde de US$ 169,2 bilhões em exportações em 2025, aproximando o país do posto de maior exportador do setor no mundo.
Atualmente, o país é responsável por atender cerca de 10% da demanda global por alimentos, mantendo presença comercial em cinco continentes. Esses dados são da Secretaria de Política Agrícola (SPA), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esse protagonismo brasileiro ganha evidência durante a Agrishow, a principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, realizada em Ribeirão Preto (SP).
O papel da tecnologia e inovação - Para João Marchesan, presidente da Agrishow, o Brasil ocupa uma posição privilegiada por integrar tecnologia de ponta, escala produtiva e rápida adaptação às normas sanitárias internacionais.
Segundo Marchesan, o investimento contínuo em genética e inovação assegura a competitividade do país no cenário externo.
"A confiança do mercado global na qualidade de nossos produtos não apenas nos permite alimentar boa parte do mundo, mas nos posiciona como estrategistas que definem os rumos do setor globalmente", ressalta o presidente da feira.
A tecnologia exposta no evento foca na eficiência, indo desde o uso de inteligência artificial e automação até sistemas de irrigação e agricultura de precisão - método que utiliza dados detalhados para gerenciar o campo metro a metro, otimizando recursos.
O objetivo central é a redução de custos e o aumento da produtividade em toda a cadeia produtiva, permitindo ampliar a produção sem a necessidade de expansão de novas áreas.
A edição da Agrishow 2026 consolida-se como a principal vitrine das transformações que sustentam o desempenho brasileiro no campo.
Cenário - No entanto, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê queda de 6,2% nas vendas internas de máquinas agrícolas em 2026, o que seria o quinto ano seguido de recuo. A projeção indica 46,7 mil unidades comercializadas até o fim do ano.
“Os juros elevados têm inibido o acesso às linhas de financiamento do setor”, ressalta Igor Calvet, presidente da Anfavea, que lembrou da pequena retração da taxa Selic de juros para 14,75% em março.
“Trabalhávamos com a projeção de fechar o ano com uma Selic de 12,3%, mas a guerra no Oriente Médio deve pressionar o Banco Central a diminuir o ritmo da queda da taxa”, avalia.
O executivo ainda cita as margens de lucro apertadas do produtor, em consequência de baixa nos preços das commodities e de custos em alta, como barreiras para o crescimento das vendas no setor.
No dia 14/04, a Anfavea informou que as vendas internas de máquinas agrícolas caíram 3,6% em 2025, para 49,8 mil unidades.
Segundo Calvet, a queda “drástica” de 22% na comercialização de colheitadeiras foi a principal responsável pelo recuo registrado pelo quarto ano consecutivo.
“É o destaque negativo, porque somos um país cuja safra foi muito boa, mas isso não se traduziu em compra de máquinas”.
Ainda segundo a Anfavea, as vendas de tratores de rodas recuaram 2,1%, de 47,5 mil em 2024, para 46,5 mil no ano passado.
Mercado externo - As exportações do setor apresentaram alta de 2,4% de 2024 para 2025, passando de 6,2 mil para 6,3 mil máquinas. Já as importações alcançaram recorde de 11 mil máquinas em 2025, 9,4% a mais do que as 9,4 mil unidades importadas em 2024.
A Índia, com 6 mil unidades, lidera o ranking de modelos estrangeiros, enquanto a China, com crescimento de 85,7%, representou 3,9 mil unidades importadas no ano passado.
Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) encomendado pela Anfavea indica que os produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, o que reduz o custo de produção em até 27%.
“Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional, sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação gerada pela indústria de máquinas autopropulsadas, justamente em um país reconhecido pela força do seu agronegócio e da construção civil”, afirma o presidente da Anfavea.
23 de abril 2026

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