
Atenta às oportunidades, mas também pressionada pela concorrência, a Volvo CE anuncia um novo passo estratégico para expandir os horizontes comerciais em 2027. Em transição operacional após o spin-off da SDLG, há um ano, a meta para 2026 é de manter os volumes em relação ao ano passado, com projeção de um avanço mais significativo a partir de 2027, por meio especialmente de lançamentos que ajustam a oferta à realidade do mercado brasileiro.
De acordo com o diretor comercial Rafael Nieweglowski, a empresa fez uma releitura do portfólio em termos de desenvolvimento, engenharia e tecnologia, “buscando entender as necessidades de cada classe de produtos”. Complementando a linha Premium, mais focada em produtividade, conectividade e tecnologia embarcada, a empresa prepara a introdução de produtos mais acessíveis, que possam atuar em ambientes mais simples, ou seja, que não requeiram


Atenta às oportunidades, mas também pressionada pela concorrência, a Volvo CE anuncia um novo passo estratégico para expandir os horizontes comerciais em 2027. Em transição operacional após o spin-off da SDLG, há um ano, a meta para 2026 é de manter os volumes em relação ao ano passado, com projeção de um avanço mais significativo a partir de 2027, por meio especialmente de lançamentos que ajustam a oferta à realidade do mercado brasileiro.
De acordo com o diretor comercial Rafael Nieweglowski, a empresa fez uma releitura do portfólio em termos de desenvolvimento, engenharia e tecnologia, “buscando entender as necessidades de cada classe de produtos”. Complementando a linha Premium, mais focada em produtividade, conectividade e tecnologia embarcada, a empresa prepara a introdução de produtos mais acessíveis, que possam atuar em ambientes mais simples, ou seja, que não requeiram um produto “ultratecnológico e de alto impacto”. “Estávamos fora disso e, agora, já começamos a visualizar essa situação em nosso portfólio”, comenta.
Uma das famílias encarregadas disso é a linha de carregadeiras Classe A, de porte menor, capaz de captar um volume de vendas que ainda não existe para a marca. Produzido na China, o modelo deve ser lançado no início do próximo ano, almejando ganhos de participação. “Esse mercado não só existe, como está crescendo”, justifica o diretor. “Quando se olha para os números, percebe-se que a Classe A cresce mais que a Série B, mas ainda não estamos competindo neste nicho.”
LOW PRICE
Com essas ações, o executivo projeta um avanço de 40% no volume de vendas, que se mantém estabilizado desde o ano passado. “Pode parecer otimista demais, mas é um salto possível ao entrarmos em segmentos nos quais não estamos”, prossegue Nieweglowski, revelando que já há lançamentos programados em diferentes níveis de produtos.
Segundo ele, o novo rolo de solos apresentado no Volvo Days 2026 (v. box) é um exemplo. “Buscamos desenvolver um produto mais alinhado ao que se vê no mercado brasileiro em termos de tecnologia e entrega do produto”, acentua. Fabricado na Índia, o novo compactador tem custo mais baixo de produção, permitindo à marca adentrar em segmentos nos quais é vista como “muito tecnológica”. “A gente ouvia muito isso dos clientes”, reconhece o diretor.
Além do rolo, uma escavadeira compacta deve chegar em breve ao mercado nos próximos meses, completando a oferta da Série F. “Lançamos a 150, que substitui a 140, mas também trazemos a 130, de 13 t, uma classe em que ainda não navegamos”, aponta Nieweglowski. “Assim, mostramos ao mercado que também temos um produto mais simples e adaptado às necessidades desses segmentos.”
Para Luiz Marcelo Daniel, presidente da Volvo CE Latin America, a estratégia não é oferecer produtos “low tech”, mas “low price”. “Tanto que a 130, por exemplo, vem com uma nova plataforma eletrônica, inclusive com a possibilidade de acoplar a função de Copilot”, detalha. “Ao se modularizar a máquina, abre-se a possibilidade de contar com uma versão com potencial em uma categoria de peso e preço em que ainda não estávamos presentes.”
Antevendo uma renovação do portfólio em “velocidade jamais vista”, Daniel ressalta que a estratégia implica dois movimentos simultâneos. “Primeiramente, abrange a base da pirâmide de produtos, com os compactos, em uma movimentação para abrir alternativas”, frisou. “São equipamentos com a marca Volvo, mas em versão para atender esse nível de utilização, que não é trabalhar 24x7 na mineração, por exemplo.”
ELETROMOBILIDADE
O outro caminho é o da eletromobilidade, a aposta global da marca para a transição energética. “No portfólio já estão a pá L120 Electric e a escavadeira EC230 Electric, apresentadas no 4º trimestre do ano passado e que agora estamos trazendo fisicamente, demonstrando e fazendo as primeiras entregas”, exemplifica Daniel.
Na visão do executivo, elas abrem caminho para o próximo passo, que é a introdução da categoria 150 elétrica, prevista para o 3º trimestre do próximo ano, além do modelo elétrico de grande porte 220, voltado para pedreiras e mineração, que deve chegar no 1º trimestre de 2028. “Juntas, essas direções são extremamente importantes e complementares, fechando a participação na eletromobilidade”, avalia o executivo, citando o PowerBank da marca para carregamento. “A adoção dessa tecnologia, a nosso ver, é muito rápida”, pondera.
Responsável direto pela introdução da linha elétrica no país, Nieweglowski avalia que a tecnologia deu um “salto extraordinário”. “Até o ano passado, era preciso convencer as empresas de que os elétricos eram uma solução viável”, relembra. “Hoje, esse cenário mudou, pois já estão convencidos e considerando essa renovação nas aquisições.”
Um dos motivos, diz ele, é que a infraestrutura depende apenas do fabricante e do cliente, o que é fundamental especialmente na mineração e em pedreiras. “Tudo se resolve dentro de um cenário controlado, pois muitos clientes têm subestações de energia”, nota. “Por isso, estão vendo uma vantagem tremenda, com redução de 80% no custo operacional em alguns casos de geração própria.”
Para Daniel, esse cenário abre uma perspectiva promissora para os chamados “early adopters” (clientes pioneiros, em tradução livre), que já estão prontos para a eletromobilidade. “Com o rigor da engenharia na lupa, eles fazem a conta e comparam com o investimento em máquinas e carregadores”, reforça o presidente, destacando que a análise é totalmente voltada para o retorno. “Somente a redução obtida em consumo já é uma coisa espantosa”, aponta o executivo, acrescentando que a marca também deve introduzir uma escavadeira elétrica cabeada de 150 t no próximo ano.
Por outro lado, empresas que ainda não começaram a dar esse passo já percebem que podem perder. “Com os elétricos, ganha-se competitividade, gordura e flexibilidade em momentos menos confortáveis”, assegura Nieweglowski. “Por isso, mesmo quem ainda não quer, vai se sentir pressionado a ter.”
MECANISMO
Em relação ao mercado, que direciona essas decisões estratégicas, Nieweglowski confirma o aquecimento vivido no 1º semestre. “Foi até acima do esperado, mas muito puxado por compras governamentais, até por ser um ano eleitoral”, destaca, fazendo eco aos resultados apresentados no Radar Tendências, em julho. “Mas também ouvimos um receio de estabilização ou até mesmo de uma situação mais preocupante no 2º semestre”, completa.
Segundo o diretor, clientes do segmento de minério de ferro, por exemplo, comentam que a cotação da commodity nunca esteve tão baixa, aumentando os custos de frete. “Como o gap de lucro está cada vez mais apertado, as empresas menores estão postergando os investimentos, o que ocorre também no agro”, interpreta Nieweglowski. “Algumas estão realmente pisando no freio, esperando que as commodities se valorizem.”
A saída é buscar soluções diferentes, diz ele, seja aliviando o Capex, partindo para outros modelos ou ainda prolongando o uso da máquina. “É um ano delicado, mas temos conseguido enfrentar as dificuldades, mesmo com os juros altos, o que leva a situações por vezes não tão atrativas de financiamento”, ele anota. “Mas estamos vendo sinais de oportunidades no pós-venda, nessa estratégia de usar outros modelos de negócios.”
Para Nieweglowski, o mercado vem assimilando novos competidores capazes de oferecer “soluções impensáveis”, respaldadas por bancos e financiadoras, o que completa o quadro de desafios. “Temos tentado acompanhar com nossas ferramentas, como o banco, mas é visível que há uma preocupação, principalmente no setor Premium”, assinala.
De acordo com Daniel, o ponto econômico é de fato o mais relevante. “Até um passado recente, a questão dos juros estava ligada a um cenário de inflação extremamente elevada”, observa. “Nesse momento, a inflação está sob controle, mas há uma resiliência nas taxas.”
Nesse cenário, torna-se mais difícil para o cliente tomar uma decisão, diz ele, pois sempre se enquadra em uma perspectiva de investimento de médio e longo prazo. “Definitivamente, é uma decisão muito complexa”, pondera o presidente, que considera o recente corte da Selic (para 14% a.a.) como um “sinalizador” importante. “Mas é difícil entender esse gap entre a inflação e a taxa de juros, que é a maior da história e, obviamente, impacta a indústria estabelecida.”
Para contrabalancear essa estrutura, é necessário fazer concessões. “É preciso colocar mais um elemento dentro da estrutura de manufatura, ou seja, algum tipo de subsídio de taxa, porque é [um mecanismo] absolutamente monetário”, prosseguiu. “Ao anteciparmos a redução da taxa, buscamos trazer conforto para o cliente, que pode fazer a compra sem a perspectiva de que ‘comprei agora e vão baixar o preço depois’.”
Alguns dos produtos financeiros oferecidos pela Volvo são complementares em situações como agora, diz Daniel, em que “os grandes players podem considerar não ser o momento ideal para Capex”. Na disposição da ferramenta de Equipment Service, por exemplo, o ativo mantém-se com a fabricante. “Não está nem com os distribuidores, mas com a Volvo, que oferece a possibilidade de utilizar o equipamento por 36 ou 48 meses, inclusive com manutenção”, explica. “Além de um produto hardware, temos de colocar um produto financeiro para que vá ao encontro dessa necessidade de trocar o Capex por Opex”, finaliza.
Saiba mais:
Volvo CE: www.volvoce.com/brasil/pt-br
Realizada no dia 6 de agosto, a edição 2026 do evento reuniu soluções inteligentes da linha compacta aos pesados da marca. Representada por carregadeiras, escavadeiras, basculantes e articulados de nível Premium, a linha de produtos foi apresentada a um grupo de quase 200 clientes e dealers na sede da empresa, em Curitiba (PR), tanto em estações de walkaround como em test drive.
Durante o “balé de máquinas”, a marca reforçou o recente lançamento da escavadeira EC230 Electric, da classe de 23 t, que atua até por um turno completo sem a necessidade de recarga. No campo de recursos tecnológicos, a empresa destacou soluções como o serviço inteligente de posicionamento Connected Map, que rastreia e monitora a operação em tempo real, gerando indicadores operacionais, dados sobre consumo e gestão do tempo de tráfego.
No Volvo Days 2026, a fabricante apresentou ainda o novo rolo SD120C para solos, na faixa de 12 t, o terceiro modelo da série, contemplando a nova oferta “low price” da marca. “Agora, temos um blend importante nesse segmento, com um potencial grande de recuperar a participação que já tivemos no passado”, aponta o presidente da operação latino-americana, Luiz Marcelo Daniel.

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