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Revista M&T - Ed.304 - Junho de 2026
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ENTREVISTA – CHRISTIANO KUNZLER

‘Não adianta ser grande, se a frota não entrega’’

Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o executivo da InfraBrasil relembra conquistas ao longo de 25 anos de trabalho
Por Redação
IMAGENS: INFRABRASIL

Fundada no Rio Grande do Sul em 2001, a InfraBrasil iniciou operações a partir da visão e força de trabalho de Christiano Kunzler, fundador, CEO e único acionista da empresa.

Nesses 25 anos, a companhia vem atuando com destaque nos segmentos de locação de máquinas pesadas e prestação de serviços em terraplenagem para empreiteiras e construtoras, atravessando diferentes momentos desse mercado no país.

Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o executivo relembra conquistas obtidas ao longo desse período.

“Minha trajetória profissional no setor começou antes de fundar a empresa, ainda em 1999”, diz ele.

“Com apenas dois equipamentos, trabalhava com locação e transporte de carga de aterros, como motorista do caminhão.”

Já nos primeiros anos, a InfraBrasil decidiu adotar uma estrat&eacut


IMAGENS: INFRABRASIL

Fundada no Rio Grande do Sul em 2001, a InfraBrasil iniciou operações a partir da visão e força de trabalho de Christiano Kunzler, fundador, CEO e único acionista da empresa.

Nesses 25 anos, a companhia vem atuando com destaque nos segmentos de locação de máquinas pesadas e prestação de serviços em terraplenagem para empreiteiras e construtoras, atravessando diferentes momentos desse mercado no país.

Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o executivo relembra conquistas obtidas ao longo desse período.

“Minha trajetória profissional no setor começou antes de fundar a empresa, ainda em 1999”, diz ele.

“Com apenas dois equipamentos, trabalhava com locação e transporte de carga de aterros, como motorista do caminhão.”

Já nos primeiros anos, a InfraBrasil decidiu adotar uma estratégia de aumento gradativo da frota, adquirindo em 2005 a primeira escavadeira da Hyundai.

Em 2006, conquistou o direito de distribuir a marca no Rio Grande do Sul e, em 2007, expandiu a distribuição para São Paulo.

Em 2008, tornou-se distribuidor nacional da marca sul-coreana, com a responsabilidade de liderar a equipe de vendas e desenvolvimento de negócios no país.

Entre 2005 e 2015, sob sua gestão, foram registradas “grandes conquistas comerciais” para a Hyundai, que culminaram na abertura da primeira fábrica da marca no Brasil.

No entanto, em 2015 o executivo decidiu vender sua participação no negócio para retornar às origens, resgatando as atividades da InfraBrasil, então com 20 funcionários.

Dando novo ímpeto ao negócio, a matriz foi transferida para Barueri (SP) em 2019, período em que a frota somava 15 equipamentos.

Foi então que Kunzler conduziu a empresa para o mercado de mineração, assumindo contratos por produção com algumas das principais mineradoras do país.

Atualmente, a InfraBrasil conta com mais de 400 equipamentos alocados em projetos de mineração pelo país, com um time de mil colaboradores.

“Essas atividades se tornaram o DNA da empresa, que passou a trabalhar em operações 24x7”, comenta.

“Isso permitiu um salto em ativos, com aumento notório em máquinas de grande porte e caminhões fora de estrada”, afirma o executivo.

Acompanhe.


  • Quais são os detalhes sobre a criação da empresa que muitos leitores não conhecem?

A empresa começou há 25 anos de forma bem simples. Basicamente, a estrutura era uma retroescavadeira e um caminhão basculante, que eu mesmo operava. Na verdade, esse início foi muito parecido com várias outras empresas do setor, começando pequeno, dentro da operação, aprendendo no dia a dia. Ao longo desses anos, uma boa parte do crescimento veio graças a esse aprendizado inicial em campo, no qual se entende como uma operação de verdade funciona, com pressões de prazo, produtividade, riscos e responsabilidades pela entrega. Com o tempo, a empresa foi evoluindo e, hoje, estruturamos e sustentamos operações maiores, com muito mais controle, estrutura de equipe e responsabilidade.

Segundo Kunzler, muito do crescimento da InfraBrasil veio do aprendizado em campo


  • Aliás, como a InfraBrasil está estruturada atualmente?

Hoje, a nossa matriz fica em Barueri, no interior de São Paulo, onde está localizada toda a parte de gestão e suporte às obras da empresa. No entanto, o principal é como atuamos nos contratos. Em cada obra que entramos, montamos uma estrutura completa dentro das instalações do cliente. Não é só levar máquina. Levamos a operação completa, com gestão de frota, manutenção, segurança e equipe especializada. Na prática, é como se em cada cliente houvesse uma InfraBrasil internalizada. Isso traz maior controle à operação e mais velocidade na tomada de decisão.

  • Qual é o tamanho da frota atual e como se divide em termos de famílias?

A frota atual da empresa está próxima de 500 equipamentos. A maior parte do parque é composta por caminhões fora de estrada, mas também contamos com escavadeiras, pás carregadeiras e tratores de esteira. Em geral, trata-se de uma frota mais voltada para movimentação de grandes volumes de material, tanto de minério quanto de estéril e terraplenagem. Mais do que quantidade, o foco é manter a operação rodando com produtividade e continuidade. Não adianta ser grande, se a frota não entrega.

  • Com essa proposta, quais foram os resultados no ano passado e quais as perspectivas para 2026?

No último ano, a empresa cresceu cerca de 20% em relação ao anterior. Esse crescimento veio principalmente da ampliação de contratos e da capacidade de manter as operações rodando bem. Para 2026, a expectativa é crescer em torno de 15%. Como empresa, preferimos crescer com controle, mantendo um padrão de operação, a crescer rápido e sem qualidade.

Focada em movimentação de material, frota da empresa está próxima de 500 equipamentos, diz o executivo


  • Qual aprendizado a atuação com locação, distribuição e serviços traz sobre o mercado de máquinas no Brasil?

Um aprendizado importante é que, mesmo no setor de máquinas pesadas, quem faz a diferença são sempre as pessoas. Atualmente, os equipamentos são todos muito parecidos em termos de tecnologia e conceito. Na minha visão, o que muda é quem está operando, gerindo e cuidando da operação. Operação grande exige time preparado, disciplina e responsabilidade. Sem isso, não se sustenta.

  • Em termos de gestão, quais melhorias foram obtidas com o processo de transformação digital na empresa?

A transformação digital tem ajudado muito no controle da operação. Hoje, temos mais rastreabilidade e controle de frota, conseguindo antecipar problemas com os equipamentos em campo. Isso reduz a parada não programada, melhora a disponibilidade operacional dos equipamentos e traz mais segurança na tomada de decisão.

Para o CEO, fatores como organização, disciplina e ambiente aparecem na operação


  • O que a conquista do Prêmio 5S representa em termos de consolidação da atuação?

O reconhecimento do 5S pela Unidade de Cuiabá (MT) mostra que a operação está organizada. Mais do que o prêmio, esse reconhecimento é importante pelo que representa no dia a dia da empresa. Ou seja, organização, disciplina e ambiente adequado de trabalho. Isso impacta diretamente na segurança e na produtividade. No final, o resultado aparece na operação.

  • Nesse sentido, como suprir a falta de mão de obra no setor?

A falta de mão de obra hoje não é um problema só do nosso setor. É algo que acontece no Brasil inteiro. No nosso caso, isso acaba ficando mais evidente porque a operação exige qualificação, responsabilidade e disciplina. O caminho não é só contratar, é construir uma empresa onde as pessoas queiram trabalhar e permanecer. Isso passa por oferecer um ambiente seguro, marcado por respeito, ética, boas condições de trabalho e perspectivas de longo prazo. Nesse sentido, temos trabalhado para fortalecer essa cultura, buscando formar pessoas e criar um ambiente onde se sintam parte da operação.

  • Como a taxa elevada de juros vem impactando as atividades?

Sem dúvida, a alta de juros impacta diretamente o investimento. E quando o custo do dinheiro sobe, muitos projetos são adiados, o que trava o mercado. Isso evidentemente, afeta tanto quem quer investir quanto quem precisa renovar a frota ou expandir as operações. É um impacto que atinge o setor como um todo.

  • Como defensor da modernização no setor, como avalia o ritmo de introdução de novas tecnologias no país?

Vemos um avanço claro nesse processo, principalmente na parte de eletrificação e redução de emissões. Por tudo o que temos acompanhado, é uma tendência que claramente veio para ficar. Mas, ao mesmo tempo, precisa fazer sentido na operação. Pensando como usuário, nem toda tecnologia funciona em qualquer cenário. Em outras palavras, o avanço tecnológico é importante, mas sempre olhando a viabilidade real de sua aplicação no campo.

Avanço tecnológico é importante, mas sempre olhando a viabilidade de sua aplicação, diz Kunzler


  • Como avalia o avanço das operações autônomas no Brasil?

Já existem operações autônomas rodando, principalmente na mineração e no agronegócio. No campo, já há colheitadeiras e tratores operando de forma autônoma ou semiautônoma, por exemplo. Na mineração, essa tecnologia também já é uma realidade em algumas operações. Isso vem muito pela busca de produtividade e pela dificuldade de contratação de mão de obra nesses setores. Ao mesmo tempo, expandir esse avanço para outros tipos de operação depende da avaliação de alguns fatores. Refiro-me a infraestrutura, tipo de terreno, nível de controle da operação e custo de implantação, por exemplo. Então, trata-se de um caminho que avança, mas de forma gradual e consistente. A tendência é que vejamos cada vez mais esse tipo de solução não só na mineração e no agronegócio, mas também em logística e outras áreas produtivas.

Saiba mais:
InfraBrasil: infrabrasilequipamentos.com

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