
Imagem: MERCÚRIO
Em operações industriais que movimentam grandes volumes de material, a correia transportadora é reconhecida como um dos elementos mais estratégicos do sistema produtivo.
Presente em setores como mineração, agregados, fertilizantes, siderurgia, portos e indústria, sua especificação influencia diretamente a capacidade de movimentação, a estabilidade do fluxo de material e a confiabilidade operacional do sistema.
Embora muitas vezes seja tratada apenas como um item de reposição, a especificação de uma correia transportadora envolve uma série de decisões técnicas, que começam pela definição da largura, passam pela escolha da carcaça e das coberturas de borracha, até chegarem à análise das condições reais de operação, incluindo impacto, abrasividade, ambiente e caracterís


Imagem: MERCÚRIO
Em operações industriais que movimentam grandes volumes de material, a correia transportadora é reconhecida como um dos elementos mais estratégicos do sistema produtivo.
Presente em setores como mineração, agregados, fertilizantes, siderurgia, portos e indústria, sua especificação influencia diretamente a capacidade de movimentação, a estabilidade do fluxo de material e a confiabilidade operacional do sistema.
Embora muitas vezes seja tratada apenas como um item de reposição, a especificação de uma correia transportadora envolve uma série de decisões técnicas, que começam pela definição da largura, passam pela escolha da carcaça e das coberturas de borracha, até chegarem à análise das condições reais de operação, incluindo impacto, abrasividade, ambiente e características do transportador.
Segundo Danillo Fantuz, diretor técnico e de qualidade da Correias Mercúrio, as larguras mais utilizadas no Brasil variam entre 24” e 100”, dependendo do setor e da capacidade requerida pelo sistema.
Em aplicações com agregados, fertilizantes e grãos predominam larguras entre 24” e 42”, que atendem capacidades médias e distâncias moderadas de transporte.
Já em operações de mineração e movimentação a granel, são mais comuns correias entre 48” e 100” ou superiores, capazes de transportar volumes elevados com maior eficiência.
“Esse padrão se consolidou no mercado por representar um equilíbrio entre capacidade de transporte, custo de infraestrutura e padronização dos componentes do transportador”, diz.
Seleção da correia envolve uma série de decisões técnicas para garantir a
estabilidade dimensional e o desempenho. Imagem: CORREIAS MERCÚRIO
Outro ponto fundamental é o tipo de carcaça, que pode ser composta por lonas têxteis ou cabos de aço.
Em correias têxteis, as configurações mais comuns variam entre duas e cinco lonas, normalmente em tecido EP, composto por poliéster no urdume e poliamida na trama.
Em aplicações leves ou moderadas, com menores tensões, são comuns correias com duas ou três lonas, enquanto operações mais severas, de maior impacto e abrasividade, como mineração ou agregados, podem exigir de três a cinco lonas.
Já as correias com cabos de aço – conhecidas como steel cord – são utilizadas principalmente em transportadores de longa distância, sistemas de grande porte ou aplicações que exijam alta resistência à tração e baixo alongamento.
De acordo com Fantuz, essas correias “oferecem maior estabilidade dimensional e melhor desempenho em aplicações de alta tensão e grandes extensões, características essenciais em operações de grande porte na mineração”.
CAPACIDADE
A principal diferença está no comportamento estrutural. Correias têxteis apresentam maior flexibilidade, o que facilita a instalação e operação em transportadores com tambores de menor diâmetro.
Já as correias com cabos de aço apresentam alongamento muito menor, garantindo maior controle de tensão e estabilidade em sistemas mais longos.
A análise das larguras e construções das correias também reflete o perfil das plantas industriais.
De acordo com Hugo Val, analista de marketing e inteligência de mercado da Fenner Brasil, antiga ConVeyBelts (CVB), ligada ao Grupo Michelin, as larguras mais utilizadas no mercado brasileiro variam entre 24” e 60”, dependendo da capacidade e do layout das plantas industriais.
Em operações de mineração e movimentação de grandes volumes predominam correias entre 48” e 60”, capazes de transportar maior quantidade de material por hora.
Já em aplicações industriais, agregados e fertilizantes, são comuns correias entre 24” e 42”, adequadas para fluxos de material mais moderados.
“Outro fator relevante é a padronização de larguras dentro do mesmo site produtivo”, explica
“Essa estratégia facilita a manutenção, reduz a necessidade de estoque de peças e aumenta a flexibilidade operacional em substituições emergenciais.”
Além da carcaça, a cobertura exerce papel essencial na durabilidade da correia. Em grande parte das aplicações, a correia possui coberturas de borracha tanto na face superior quanto na inferior.
A superior protege a correia contra impacto e abrasão provocados pelo material transportado, enquanto a inferior protege a estrutura contra desgaste provocado pelo contato com roletes e demais componentes do transportador.
Segundo Val, deve-se evitar a utilização de cobertura na camada inferior caso o equipamento apresente particularidades nos componentes onde o atrito pode ser prejudicial.
“Em determinadas aplicações, especialmente em sistemas que operam com altas velocidades ou cargas elevadas, a escolha do composto da cobertura inferior pode influenciar significativamente a vida útil da correia”, acentua.
Outro fator é o ambiente operacional. Temperatura elevada, presença de óleos, agentes químicos, radiação solar ou intempéries podem acelerar o desgaste da correia, exigindo compostos específicos capazes de resistir a essas condições.
TECNOLOGIAS
Nos últimos anos, o desenvolvimento tecnológico tem avançado principalmente em materiais e engenharia estrutural.
Nesse contexto, a Fenner destaca a tecnologia UsFlex, uma construção patenteada de carcaça projetada para aumentar a resistência a impactos e rasgos longitudinais, especialmente em carregamentos severos.
Sistema UsFlex traz carcaça projetada para aumentar a resistência a impactos e rasgos. Imagem: CONVEYBELTS/FENNER
A empresa também produz compostos de borracha com maior resistência à abrasão e soluções especiais. “
Um avanço importante está relacionado ao desenvolvimento de materiais autoextinguíveis, voltados para aplicações que exigem padrões elevados de segurança operacional”, conta o especialista, destacando que o mercado já conta com correias autoextinguíveis com níveis de resistência à abrasão de até 70 mm³.
Além disso, novas formulações de elastômeros com alta resistência têm permitido ganhos de durabilidade em aplicações severas, reduzindo intervenções de manutenção e aumentando a confiabilidade operacional dos sistemas.
Um exemplo é o composto ABR-20, que apresenta níveis de resistência entre os mais elevados disponíveis no mercado brasileiro.
“Em algumas aplicações de mineração e siderurgia, foi possível duplicar a vida útil das correias”, garante.
O desenvolvimento tecnológico das correias tem avançado no sentido de oferecer robustez estrutural, previsibilidade operacional e melhor custo total de propriedade.
Na Mercúrio, esse avanço tem ocorrido principalmente em materiais e compostos com maior resistência contra abrasão, calor e envelhecimento, além de coberturas com mais de uma característica.
“Além desses, os sistemas de monitoramento online, com câmeras, sensores e tecnologias de inspeção, permitem o acompanhamento em tempo real de parâmetros como desgaste da cobertura, integridade da carcaça e temperatura do sistema”, explana Fantuz, destacando os sistemas de monitoramento HX170 e HX270, desenvolvidos pela Mercúrio.
Sistemas de monitoramento permitem acompanhamento de correias em tempo real. Imagem: CORREIAS MERCÚRIO
Na prática, diz ele, essas tecnologias evitam prejuízos ao identificar falhas antes que causem paradas, possibilitando que a operação flua com redução de perdas e maximizando a produtividade.
“Há necessidade de reduzir as paradas não programadas, garantindo que o transportador opere com alto nível de desempenho e segurança”, reforça.
“Além disso, algumas soluções são indispensáveis para obter eficiência energética e sustentabilidade, como correias antiaderentes e com menor resistência ao rolamento, além de compostos que contribuam para a redução do consumo de energia e das emissões de CO₂.”
COMPONENTES
Todavia, o desempenho da correia depende do bom funcionamento de todo o sistema.
Componentes como roletes, raspadores, tambores e estruturas de impacto influenciam diretamente o desgaste e a estabilidade da operação.
Em aplicações com material abrasivo ou acúmulo de material no retorno da correia, por exemplo, os rolos são essenciais para oferecer resistência abrasiva e reduzir danos à correia.
A Superior, por exemplo, vem ampliando o fornecimento de rolos revestidos com poliuretano antichama, desenvolvidos para aplicações em que os rolos revestidos com borracha apresentam desgaste acelerado, principalmente em ambientes com alta abrasividade ou acúmulo de material, como mineração pesada.
“Minérios, em especial, apresentam abrasividade muito superior à de produtos agrícolas ou granéis leves”, afirma Rodrigo Trotta, gerente de contas da Superior Industries do Brasil, citando a exigência mecânica do setor.
“Por isso, a aplicação de poliuretano faz muito sentido nesse tipo de operação.”
Segundo ele, o uso do poliuretano não se propõe a substituir integralmente os rolos revestidos com borracha, mas sim atender a pontos críticos do sistema de transporte.
“O material possui maior resistência à abrasão que a borracha”, elucida. “Por isso, é indicado para locais onde há presença de material acumulado ou maior tensão mecânica sobre os rolos.”
A emenda vulcanizada é o método mais confiável e durável para unir correias transportadoras, utilizando calor,
pressão e material de ligação para criar uma conexão uniforme, lisa e de alta resistência. Imagem: REVISTA M&T
Os rolos de poliuretano são indicados especialmente para pontos do transportador em que o contato com material abrasivo é mais intenso, assim como onde a geometria do sistema gera maior esforço sobre os componentes.
“As aplicações típicas incluem pontos próximos ao solo, onde ocorre acúmulo de material no retorno da correia”, detalha.
“Mas também em locais de transição e rolos tensores, curvas de transportadores com maior esforço mecânico, sistemas com viradores de correia e transportadores instalados em túneis ou locais com difícil acesso para manutenção.”
TENDÊNCIAS
Digitalização impulsionaa manutenção preditiva
Digitalização permite acompanhar parâmetros como desgaste da cobertura, integridade da carcaça e temperatura da operação. Imagem: REPRODUÇÃO
Quando o assunto é manutenção de correias transportadoras, um movimento relevante é a digitalização da atividade.
Sistemas de monitoramento, sensores e tecnologias de inspeção permitem acompanhar parâmetros como desgaste da cobertura, integridade da carcaça e temperatura de operação.
Val explica que, em diversas operações de mineração, “a adoção dessa tecnologia resulta em ganhos de durabilidade, com aumento significativo da vida útil das correias”.
Por sua vez, Fantuz chama a atenção para aspectos como monitoramento de alinhamento do transportador, ajuste de raspadores e sistemas de limpeza, além de inspeção periódica de roletes e tambores, controle adequado de tensionamento da correia e verificação de pontos de impacto e carregamento.
“A adoção dessas práticas reduz significativamente o risco de desgaste irregular, danos estruturais e paradas não programadas”, assegura.
Como regra geral, as inspeções periódicas devem considerar o controle de alinhamento e de tensão, além da verificação de raspadores, roletes, tambores e pontos de transferência. Essas práticas, frisa Val, ajudam a evitar desgaste irregular, falhas prematuras e paradas não programadas.
“A evolução das correias transportadoras tem sido impulsionada principalmente por avanços em materiais, engenharia de carcaças e compostos de borracha, além da crescente integração com tecnologias de monitoramento e gestão”, arremata.
Saiba mais:
ConVeyBelts/Fenner: https://conveybelts.com/pt
Correias Mercúrio: www.correiasmercurio.com.br
Superior: https://pt.superior-ind.com

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