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Revista M&T - Ed.304 - Junho de 2026
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2º CONEXÕES E NEGÓCIOS

A mais disputada dos canteiros

A retroescavadeira se mantém como o equipamento mais vendido no Brasil, acirrando a competição das marcas pela predileção do cliente
Por Marcelo Januário (Editor)

Foto: CASE CE

Máquina mais vendida do país, segundo o Estudo de Mercado da Sobratema, com 10.706 unidades comercializadas no ano passado, a retroescavadeira segue inabalável na posição de principal ferrramenta nas obras nacionais de construção, a “primeira que chega e a última que sai” dos canteiros, como dizem os especialistas.

Para tratar desse produto estratégico, a Sobratema realizou em maio o 2º Conexões e Negócios, que promoveu um ambiente de troca de informações, networking e parcerias aos convidados.

Nesta edição, algumas das principais fabricantes do país apresentaram seus produtos para um público especializado, destacando qualidades da máquina aclamada como “a queridinha do Brasil”.

“A retroescavadeira de fato é um dos equipamentos mais emblemáticos da Linha Amarela, está em todo lugar”,



Foto: CASE CE

Máquina mais vendida do país, segundo o Estudo de Mercado da Sobratema, com 10.706 unidades comercializadas no ano passado, a retroescavadeira segue inabalável na posição de principal ferrramenta nas obras nacionais de construção, a “primeira que chega e a última que sai” dos canteiros, como dizem os especialistas.

Para tratar desse produto estratégico, a Sobratema realizou em maio o 2º Conexões e Negócios, que promoveu um ambiente de troca de informações, networking e parcerias aos convidados.

Nesta edição, algumas das principais fabricantes do país apresentaram seus produtos para um público especializado, destacando qualidades da máquina aclamada como “a queridinha do Brasil”.

“A retroescavadeira de fato é um dos equipamentos mais emblemáticos da Linha Amarela, está em todo lugar”, corroborou Afonso Mamede, presidente da Sobratema.

“Não por acaso, segue entre os equipamentos de maior presença e relevância no mercado brasileiro.”

Presença que, obviamente, vem gerando maior competitividade por fatias de mercado.

Com o nivelamento tecnológico, cada marca busca oferecer diferenciais capazes de destacá-las em um dos mais concorridos nichos da Linha Amarela no país.

No caso da retroescavadeira, uma máquina essencial em obras civis e reformas urbanas, isso passa pela articulação entre disponibilidade operacional, baixo consumo e, acima de tudo, ciclo de vida otimizado, configurando um fator de eficiência que se define nos detalhes.

A seguir, confira o resumo das apresentações, que seguem disponíveis na íntegra em vídeo no Canal da Sobratema no YouTube.


BMC HYUNDAI

A retroescavadeira HB 640C é um dos produtos que buscam ganhar espaço nesse mercado.

Anunciada na Agrishow 2025, a máquina marcou o retorno da fabricante ao segmento após um “período de estudos sobre as necessidades do mercado”.

De acordo com o gerente de produto Carlos Alves, a máquina utiliza motor Perkins 1104 Tier III, descrito como o mais potente da categoria.

“O projeto é focado em consumo reduzido e confiabilidade operacional por meio de componentes renomados, incluindo radiador de camada única SBS integrado, facilitando a limpeza e as preventivas”, detalhou.

Um diferencial relevante do projeto é o contrapeso dianteiro, de 350 kg, que amplia em 10% a capacidade de penetração no material e reduz instabilidades em deslocamentos.

A máquina também conta com sapatas duplas intercambiáveis de fábrica, permitindo o ajuste do nivelamento em diferentes tipos de solo. “Essa flexibilidade evita danos em pisos de concreto”, destacou.

As caçambas-padrão comportam 0,26 m³ no modo retro e 1,26 m³ no modo carregadeira, sendo apontadas como as maiores do mercado. Por sua vez, a cabine possui estrutura de proteção contra capotamento e queda de objetos, além de faróis de LED e para-brisa curvo.

O modelo recebe suporte técnico da rede SAB, um serviço que abrange mais de 800 especialistas distribuídos pelo país. Já a reposição é garantida por um centro logístico em Itajaí (SC), reforçada por cerca de 400 pontos de revenda.

“Quem faz conta, compra BMC Hyundai”, provocou Alves, sobre o TCO do produto.


CASE CE

No Brasil, a marca disputa o segmento com modelos que representam sete décadas de evolução. No evento, a fabricante destacou o modelo 580N como ícone da marca, “projetada de forma integrada desde a origem”.

Todavia, a gama inclui ainda um projeto global com duas portas e foco em produtividade, além da linha nacional 580N Série 2.

Lançado há três anos, o modelo nacional prioriza a robustez, propondo “simplicidade de manutenção e fácil acesso a componentes”.

De acordo com a especialista de marketing de produtos Laura Stumpf, a retroescavadeira é especial por ser versátil, podendo operar em situações de carregamento, escavação e levantamento de material.

“A engenharia local atua em parceria com centros internacionais para adaptar os projetos às demandas regionais”, disse ela.

O modelo 580N Série 2 HD oferece opções como o sistema Pilot Control, permitindo a troca entre os modos escavadeira ou retro.

Atecnologia Pro Control atua no amortecimento do giro traseiro, para evitar queda de material. Há ainda amortecimento na parte dianteira, para “otimizar o transporte de carga e evitar desperdícios”.

As máquinas trazem comandos por joysticks ou alavancas, incluindo versões com três alavancas e giro no pedal, comuns em aplicações como cultivo de arroz.

A conectividade está presente em todas as séries, facilitando o monitoramento.

Já a estrutura de suporte baseia-se em uma rede que promete disponibilidade de peças e serviços.

De acordo com a especialista, o histórico de mais de 45 mil unidades vendidas assegura a confiança do cliente.

“O objetivo é manter a máquina operando continuamente”, reforçou Stumpf.

FORZA

Montada em Palhoça (SC), a linha da marca é composta pelos modelos F680KS e 680P (versão de entrada, com alavancas).

A empresa se posiciona como uma montadora “que realiza pesquisa, desenvolve e faz a montagem final dos equipamentos em território brasileiro”.

Segundo o CEO Flavio Schimanski, a ideia é entregar um produto com “relação custo-benefício excelente”. Sobre a F680KS, especificamente, o executivo destacou que o modelo segue o conceito Simple Tech, “priorizando a robustez e a facilidade de manutenção, sem excesso de eletrônica”.

“A operação utiliza chicotes e comandos hidráulicos diretos para simplificar reparos”, descreveu.

“O foco é oferecer um produto resistente e que evite paradas prolongadas por complexidade técnica.”

Com motor Weichai Tier III de 100 hp e controle eletrônico de combustível, a máquina tem capacidade de 2,5 t, com peso operacional total de mais de 8 t.

A lança traseira tem alcance de 4 m, enquanto o volume da concha frontal é de 1 m3. O modelo conta com joysticks reguláveis e escamoteáveis, facilitando a mobilidade.

Câmeras 360º, ar-condicionado e proteção de estofamento são incluídos como itens de fábrica, destacou o CEO.

No suporte, a plataforma Forza Conecta permite monitoramento em tempo real, incluindo alertas de pressão e vazamentos.

“O sistema também possibilita a criação de cercas virtuais para monitorar a operação”, explicou Schimanski.

Esse recurso visa proteger o patrimônio e evitar quebras críticas durante a jornada.”


JCB

Como o leitor da nossa seção “A Era das Máquinas” sabe, a retroescavadeira foi inventada em 1953 pelo inglês Joseph Cyril Bamford, fundador da JCB.

Atualmente, esse pioneirismo se reflete com força na detenção de 50% do mercado mundial, enquanto no Brasil a participação da marca chega a 40%.

A linha atual contempla os modelos 1CX (3.260 kg de peso), 3CX (8.185 kg) e 4CX (8.585 kg), além de uma minirretro, atendendo desde obras urbanas até agronegócio e saneamento.

Topo de linha, a versão 4CX é equipada com caçamba de 1,3 m³ na dianteira, sistema de direção exclusivo com três modos e motor DieselMax Tier III de 100 hp.

Por sua vez, um sistema inteligente permite o gerenciamento das bombas hidráulicas ao toque de um botão.

De acordo com o diretor de vendas e marketing Carlos França, as retroescavadeiras da marca são as únicas equipadas com o sistema LSD (Limited Slip Differential, ou Diferencial de Deslizamento Limitado), que otimiza a tração.

“Além disso, todos os equipamentos saem de fábrica com telemetria embarcada por cinco anos”, informou.

“Também lançamos a versão rental do LiveLink, para facilitar a gestão de frotas locadas.”

A rede de atendimento atual chega a 64 pontos, disse ele, divididos entre construção e agrícola. Em São Paulo, a distribuição é centralizada em Jundiaí, via Rocester.

“Um novo centro de distribuição com o dobro da capacidade está em fase de abertura para agilizar a entrega de peças”, antecipou.

A estratégia visa garantir que cerca de 90% da frota em território nacional conte com suporte a menos de 200 km. adicionalmente, a empresa oferece especialistas para customizar as máquinas conforme a aplicação.

“Temos a exata noção da responsabilidade em continuar investindo em pessoas e tecnologia”, cravou França na apresentação.


JOHN DEERE

A oferta da marca é centrada no modelo 310 P-Series, projetado para configurações de acordo com a necessidade.

A máquina é considerada um suporte multipropósito, atuando do início ao fim das obras.

Como destacouo instrutor de treinamentos Tony Belizario, “você foca no seu negócio e nós cuidamos da sua máquina”, referindo-se a programas como “Litros de Vantagem”, que garante o consumo de combustível até 5,8 l/h.

“Caso ultrapasse, o cliente recebe reembolso em créditos para peças ou serviços”, garantiu.

O equipamento traz motor eletrônico de 4 l com 91 hp, “permitindo gerenciamento preciso das condições operacionais”, disse.

Item de fábrica, a transmissão PowerShift facilita a troca de marchas e a operação diária.

“O sistema eletrônico possibilita a configuração de modos econômicos para trabalho frontal ou traseiro”, completou o instrutor.

Produzida em Indaiatuba (SP), a máquina apresenta sistema de bloqueio do eixo traseiro, que opera em modos de segurança baseados na rotação.

Essa funcionalidade, assegurou o instrutor, “evita quebras e desgastes precoces dos componentes por mau uso”.

Em serviços, o programa John Deere Protect integra monitoramento, inspeções e garantias estendidas para assegurar disponibilidade. Por sua vez, os distribuidores utilizam o Centro de Soluções Conectadas para gerenciar alertas em tempo real.

“O sistema Expert Alert auxilia na manutenção preditiva, reduzindo o tempo de máquina parada por falhas não planejadas”, salientou Belizario.


SOTREQ / CATERPILLAR

Com uma oferta segmentada, a Série Cat 416 é dividida nos modelos Core (simplificado), Pro (avançado) e Ultra (premium), com diferentes níveis de tecnologia e produtividade.

Como explicou o especialista de produto Daniel Cristóvão, o modelo Core é uma versão para operações econômicas, enquanto o Pro foca em versatilidade, com braço preparado para acessórios.

“Já o modelo Ultra é equipado com transmissão PowerShift e controles por joystick”, completou.

Segundo ele, o DNA das máquinas reside nas bombas de pistão sensíveis à carga, que permitem operar em baixas rotações, mantendo a força hidráulica.

A tecnologia promete reduzir o consumo e diminuir o desgaste de componentes. Segundo o especialista, “é possível ter uma precisão mais suave e maior potência com menor rotação do motor”.

No quesito de serviços, o projeto prioriza o acesso aos pontos de manutenção sem o uso de ferramentas, permitindo abrir o capô e acessar rapidamente os radiadores.

“Itens como baterias e níveis de óleo podem ser verificados em segundos”, garantiu. Outro destaque é o modo de seleção de frenagem, que atua nas quatro rodas mesmo em tração 4x2.

Já o sistema Keypad permite cadastrar até 200 códigos de acesso para evitar uso não autorizado e reduzir custos de seguro, enquanto a cabine é equipada com vidros planos rebatíveis para facilitar a comunicação externa.

Um recurso que se tornou indispensável é o engate rápido, que permite a troca de implementos traseiros diretamente da cabine, sem necessidade de ferramentas manuais ou descida do operador.

A ferramenta justifica a alcunha popular de “canivete suíço” da máquina, que pode operar com vassouras, garfos pallet, garras e manipuladores.

“Isso cria uma gama bastante grande de ferramentas para aumentar a versatilidade”, destacou Cristóvão. | (MJ)


EVENTO
“Quanto mais multifuncional, melhor”

Cases apresentados no 2º Conexões e Negócios detalham a utilização de implementos em retroescavadeiras para obras rodoviárias e locação em projetos de infraestrutura, além de perspectivas no saneamento

Reunindo setores-chave do mercado, o 2º Conexões e Negócios colocou em perspectiva a demanda de retroescavadeiras em áreas que vêm puxando as atividades na construção.


Público seleto acompanhou detalhes de projetos que vêm puxando os negócios com retroescavadeiras. Foto: MJ


Atividades que passam por concessões rodoviárias como as administradas pela Via Appia, com investimentos crescentes nos estados de SP e MG.

Segundo o superintendente Daniel Cardozo Daneluz explicou no evento, a concessionária vem ampliando a frota para serviços de conservação e atendimento em 1.400 km de rodovias de quatro concessões.

Destaque do portfólio, as obras no Rodoanel Norte (SP) – na SP-021, que integraa Via SP Serra – abrangem 44 km, com 107 pontes e viadutos e sete túneis, com previsão de entrega agora em setembro.

Nessa obra, o grupo mobilizou máquinas com implementos para ampliar a funcionalidade operacional.

De acordo com Daneluz, os equipamentos permitem agilizar a liberação de pista e a manutenção do pavimento.

“Quanto mais multifuncional o equipamento, melhor é para a gente”, ressaltou.

Segundo ele, o uso de implementos é visto como uma estratégia fundamental para evitar a ociosidade e garantir que um único recurso possa atender às diversas demandas — programadas ou emergenciais.

“A estratégia prioriza a disponibilidade técnica dos ativos em obras de ampliação e duplicação”, disse.

Na infraestrutura, o avanço das obras também tem estimulado investimentos.

No caso da HBSP Locações, o braço de rental da Passarelli utiliza retroescavadeiras com implementos em obras de infraestrutura, saneamento e edificações.

Com um parque de 150 equipamentos, com destaque para 41 unidades da Linha Amarela e 15 shields, a empresa reserva 80% da frota para obras próprias e o restante para o mercado.

O portfólio de obras relevantes inclui o Piscinão Jaboticabal (SP) e a ETA Guandu (RJ). De acordo com o gerente Felipe Siqueira, a empresa utiliza nessas obras o chamado “kit vala limpa”, com pinça para asfalto, rolo de compactação e engate rápido.

“Além disso, conchas estreitas de 20 cm reduzem o volume escavado e os custos de pavimentação”, acrescentou.

Outro segmento com potencial é o de saneamento, cujos investimentos vêm crescendo desde o Novo Marco, em 2020. De lá para cá, o país registrou alta de 30% nos aportes e novos leilões.

Ao todo, 67 leilões já contrataram R$ 205 bi para 1.821 cidades, sendo que a atuação privada cresceu 613%, chegando a 2.075 municípios.

O coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON), Romário Júnior, projeta que o setor movimente até R$ 900 bi até 2033, divididos em R$ 606,6 bi para construção civil, R$ 178,2 bi em tubulações, R$ 74,6 bi em máquinas e equipamentos e R$ 7,4 bi em veículos elétricos, além de R$ 26,5 bi em serviços de investimento.

“O saneamento está em pleno movimento para o cumprimento das metas”, garantiu.

“A necessidade de obras e substituição de redes cria oportunidades para movimentar toda a economia.” | (MJ)


Saiba mais:
Conexões e Negócios: https://conexoes.sobratema.com

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